sexta-feira, 29 de maio de 2020

Contribuição de Jorge Leitão Ramos que muito agradecemos


É um bilhete de cinema do Apolo 70 - salvé Lauro Antonio  - igual a tantos outros, mas com uma particularidade, a data: 27 de Novembro de 1975. O que tem de especial? Lisboa estava em estado de sítio (um evento muitíssimo mais sério que o recente estado de emergência...) - e eu estava... no cinema, às 19h, a ver cinema português. "Benilde ou a Virgem Mãe", mais precisamente. Um soldado nunca abandona o seu posto. Este bilhete é uma prova.

Contribuição de João Magalhães que muito agradecemos











Bilhete da sessão de 1987 - Coronel Redl de Istvan Szabó.


Contribuição de Abel Rosa que muito agradecemos













quarta-feira, 27 de maio de 2020

A CAMINHO DAS CELEBRAÇÕES DOS 50 ANOS

A 26 de Maio de 1971 inaugurou-se o Estúdio Apolo 70, sob minha direcção técnica. Precisamente daqui a um ano fará 50 anos. Para comemorar a efeméride, organizei um blogue para homenagear esta sala e a sua programação, que tanta importância teve durante duas décadas em Lisboa. Por isso, de hoje até daqui a um ano, solicitamos a colaboração de todos que tenham alguma recordação, gráfica ou de outro género, que no la revele e a traga para este blogue. Esperamos a vossa contribuição com entusiasmo. Digitalização de programas, de bilhetes, de anúncios, tudo o que posso recordar a actividade deste estúdio será bemvinda. Obrigado, desde já.

terça-feira, 29 de março de 2011

FESTIVAL DE CINEMA 1972

No primeiro aniversário do Cinema Estúdio Apolo 70 organizou-se um festival de ante-estreias, muitas das quais seriam estreadas nesta sala. Este era o cartaz.

Estúdio Apolo 70 - Noticiário de iimprensa nº 1

    Foto da época
APOLO 70 - UMA NOVA  SALA

Um novo cinema abre agora as suas portas ao público de Lisboa. integrado num complexo que constitui o maior “drugstore” da Europa, o cinema Estúdio APOLO 70, que tem projecto do arquitecto Augusto Silva e decoração de Paulo Guilherme, conta com 300 lugares e está equipado com aparelhagem Philips de projecção para 35 mm. (em ecrã normal e cinemascópio).
0 Estúdio APOLO 70, cuja programação será dirigida por um critico de cinema, inaugura a sua exibição com a estreia de 0 VALE DO FUGITIVO (Tell Them Willie Boy is Here)t de Abrahara Polonski, western moderno, na linha da renovação do género, que é interpretado por Robert Redford, Susan Clark, Katherine Ross e Robert Blake.
Nas palavras de apresentação da nova sala (e que aparecem no programa distribuído gratuitamente aos seus espectadores) pode ler-se:
"Ao abrir as portas todo o cinema que se preza orgulha-se de se apresentar ao público referindo normalmente a excelência da sua projecção, a comodidade dos seus lugares, o bom gosto do seu ambiente, o interesse espectacular da sua programação, etc. APOLO 70 poderia começar também por isso (e cremos que o faria com inteira justiça) mas as responsabilidades que irá contrair são, sobretudo, de um outro tipo. Com o que a sua declaração de princípio pretenderá atingir um alcance muito mais vasto.
Entendemos que uma sala de cinema não passa de um local onde o espectador se dirige essencialmente para ver cinema. Como a uma biblioteca vai um leitor, como a um museu se desloca um visitante. Sentado ou deitado nas coxias de qualquer cinemateca abarrotando de olhos ávidos; refastelado nas poltronas luxuosas do Club 13 ou do Coronet; comprimido nas cadeiras de ferro e madeira da sala do seu bairro; com calor ou frio nas cine-esplanadas; sentado no banco que de casa levou para o adro da igreja de uma aldeia que o ambulante visita de animatógrafo às costas, por todo o lado uma mesma motivação, ainda que com intenções básicas diversas: ver cinema, deixar-se possuir pelo fascínio das imagens em movimento, descer ao fundo da noite e percorrer os caminhos da fantasia e do sonho, penetrar no mundo por vezes alienante da ilusão celofanizada, ou retirar da parábola e da História o ensinamento e a lição que nelas se encobrem. O cinema, com 75 anos de idade, oferece ao homem possibilidades inesgotáveis, Resta ao cineasta não trocar a criação pelo fabrico em série, não alienar a sua liberdade e talento, imolados em nome da facilidade e do êxito imediato. Ao público compete igualmente escolher e sobretudo saber escolher. Para o que deverá estar informado (possuindo as chaves que lhe permitirá penetrar neste universo fascinante e perigoso) e devidamente formado (ou seja: sabendo utilizar essas chaves que lhe são facultadas e utilizá-las de uma forma viva, pessoal, enriquecedora).
Pois APOLO 7O aposta no cinema de qualidade e é esse cinema que propõe aos seus futuros espectadores. Um crítico de cinema, enquanto crítico de cinema, estará à frente da programação desta sala, procurando estabelecer uma plataforma de confiança recíproca entre quem escolhe uma programação e o público a que esta se dirige.
Podemos certamente afirmar que nesta sala só serão exibidas películas a que reconheçamos valor para isso e uma inequívoca importância. Obras de qualidade invulgar e sobejamente significativas (tanto a um nível histórico, onde os lapsos de cultura cinematográfica portuguesa são flagrantes, como num plano de modernidade narrativa ou de significado humano).
Basicamente este será o rumo de APOLO 7O, uma sala aberta a todos quantos amam no cinema o seu lado mágico e inquietante, onde a lucidez e a imaginação do criador serão sempre argumentos de peso primordial APOLO 70 não pretende ser a capela de  um grupo de intelectuais de rígida ortodoxia estética e cinematográfica.O cinema sóp será uma das formas de expressão mais importantes do nosso tempo desde que profundamente ligado ao público.  É esse espectáculo de fraternal comunicação que defendemos desde que ao serviço do homem e do seu futuro. É esse cinema que aqui irá passar, sob as mais diversas formas, do necessário experimentalismo à escrita de sereno classicismo, do western à comédia, do realismo ao maravilhoso, do documentário à ficção.  
As nossas intenções foram claramente definidas no esquema de programação que seguidamente anunciamos. Onde o cinema português ocupará o lugar que julgamos já merecer,
Para além das obras em estreias APOLO 70 dinamizará o seu horário apresentando “Filmes em Retrospectiva” (repondo películas de significado diverso, mas de visão aconselhável), “Meia Noite Fantástica” (reservada ao terror, ao fantástico, à ficção cientifica, ao maravilhoso) e ainda “Manhãs Infantis” (apresentando os filmes possíveis para maiores de 6 anos, sessões essas que se destinam a fomentar o gosto pelo bom cinema do público de amanhã)."

A sala funcionará com os seguintes horários e preços:

HORÁRIO:
Sessões com o filme em estreia:
Dias de semana: 14,3o - 16,45 - 21,45 h
Sábados: 14,30 - 16345 - 19 - 21,15 h
Domingos: 14,30 - 16,45 - 19 - 21,45 h
Sessões especiais:
Filmes em retrospectiva: 19 h (de 2ª a 6ª feira) Meia Noite Fantástica: 23,30 h (sábados) Manhãs Infantil: 11 h (Domingos)

PREÇOS:
Tardes de semana: 15$00
Noites de semana; 25$00
Tardes e Noites de Sábados, domingos, feriados e estreia: 30$00
Filmes em Retrospectiva: 15$00 (estudantes: 10$00)
Meia Noite Fantástica: 20$00
Manhã Infantil: 15$OO (crianças 7$5O).